RÚSSIA DE NORTE A SUL
por Marcelo Gradella Villalva

Introdução

Não pretendo fazer um relato minucioso de minha viagem. Descrições de viagens mais completas do que esta encontram-se facilmente em guias turísticos. Eu não poderia suplantar a riqueza de detalhes e a precisão das informações dos guias disponíveis no mercado editorial.
Este breve texto reflete apenas o anseio de transmitir àqueles que desejam conhecer a Rússia algumas de minhas impressões sobre esse maravilhoso país.

acima:

Vista noturna do kreml moscovita e da catedral de São Basílio.

Primeiras impressões

O aeroporto de Sheremetyevo, uma das portas de Moscou, é pequeno mas suficientemente organizado. Chegando durante a noite, é melhor esperar o dia amanhecer para depois tentar chegar à cidade.
É preciso pegar um táxi para chegar a Moscou e o preço pode estar em torno de 20 dólares. Sem dúvida a maneira mais barata é utilizar o táxi coletivo, que são aquelas lotações que povoam atualmente nossas grandes cidades. Foi preciso ir à Rússia para constatar que o fenômeno das vans que vão a toda parte e aniquilam o transporte público é característico de países em desordem. O preço é bastante baixo e as vans, que ficam estacionadas em frente ao aeroporto, começam a circular às 6 horas da manhã. Basta apenas um pouco de coragem, nada muito extraordinário, para aqueles que desconhecem o idioma russo. O pagamento é feito para o passageiro que estiver mais próximo, que vai se encarregar de conduzir o dinheiro até o motorista. O troco, surpreendentemente, chegará logo depois.
Felizmente em russo se diz metrô exatamente como em português. Tendo entrado na condução, com um pouco de sorte é possível chegar a alguma estação de metrô. A partir daí seus problemas já terão acabado, ou estarão apenas começando.

ao lado:


Luxuosa estação de metrô em Moscou, herança de um passado glorioso.

Sobre o visto de entrada

Depois que voltei da Rússia o formato do visto foi modificado. Passaram do arcaico pedaço de papel cheio de carimbos, antes usado no rígido controle soviético, para o moderno visto colado no passaporte.
Mais do que ninguém, e até mesmo mais do que nós, brasileiros, os russos entendem bastante de burocracia.
O meu visto, do formato antigo, precisava ser registrado dentro de um certo prazo. O processo de registro demorou vários dias e exigiu o documento de identidade da pessoa em cuja residência eu estava hospedado. Durante esse tempo meu passaporte ficou confiscado, o que impossibilitou que eu saísse de Moscou. Além disso era necessário preencher um formulário (em russo, naturalmente) e pagar uma taxa no banco. Uma das tarefas mais fastidiosas na Rússia é enfrentar uma fila de banco.
Àqueles que eventualmente desejarem me perguntar, não sei dizer onde é que se registra o visto, mas isso não é de grande importância. Trata-se de uma pequena repartição pública, repleta de funcionários morosos e mal humorados, lotada dos pés à cabeça de gente preenchendo papéis e pagando taxas. Lá estive, mas não sei dizer como é que se chega, nem onde fica. Apenas posso afirmar que consegui transpor sem grandes problemas (com apenas alguns rublos a menos no meu bolso) essa pequena barreira. 
Só há duas maneiras de conseguir um visto: através de um convite formal de um cidadão russo ou através de uma agência de turismo russa. No primeiro caso alguém dirá a você o que deve fazer para registrar o visto, ao passo que no segundo caso alguém fará tudo por você.
Não sei precisar como é atualmente a burocracia relativa ao visto. É recomendável entrar em contato com os consulados da Rússia no Brasil para obter informações seguras.


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